It's been a long time coming...
Há mais de um ano que não uso este espaço, e a minha vida virou 180 graus no entretanto. Fui escrevendo notas soltas e aleatórias no telemovel como terapia. Ideias e emoções desorganizadas, o espelho da minha vida nos últimos tempos. A alimentação saudável não tem sido consistente, o yoga não tem sido consistente... na verdade, a única coisa consistente tem sido mesmo a inconsistência. Mas a vida é feita de fases, e está tudo bem.
2024 foi um ano louco. Dizia-me uma amiga há uns meses quando a atualizava durante um café... - "Então, quer dizer que ainda só não mudaste de casa?" - e é mais ou menos isto.
Começei o ano a despedir-me do meu emprego de sonho, e da minha empresa de sonho, contra a minha vontade. Vi os meus planos de carreira a médio prazo desaparecerem de um momento para o outro. Praticamente ao mesmo tempo, termina uma relação que era suposto ser para a vida, e eu fui de cara ao chão. Levei um abanão da vida a sério, daqueles sismos de média intensidade que aparecem para nos mostrar que não controlamos nada, mesmo quando queremos controlar tudo.
Sobrevivi ao primeiro impacto, ainda não sei exatamente como. Talvez tenha sido por ter ligado o piloto automático, ou o modo de sobrevivência. Talvez tenha sido por negociar com a minha cabeça diariamente que estava viva, com saúde, e que tinha opções. Só tinha que fazer um dia de cada vez, e ir andando.
Depois, as minhas pessoas. Se há coisa que quero sempre lembrar sobre este ano é a sorte que tenho em ter na minha vida quem garantiu - todos os dias - que eu não ia desaparecer num buraco negro. E foram muitos os momentos, em que me foram lá buscar.
Lembro-me de escrever numa das minhas últimas aleatoriedades que me sentia à deriva, que a maré da vida tinha a bandeira vermelha e eu andava a ser tossida pelas ondas. A sensação era mesmo essa, e a bandeira esteve vermelha muito tempo, mas o amarelo chegou... e o verde vai ficando com mais frequência.
Perceber que o amor não é suficiente matou-me por dentro aos bocadinhos durante meses. Mas se a vida me disse que o amor não é suficiente, o tempo mostrou-me que ele se transforma e se fizermos o trabalho duro, e necessário, para ganhar uma nova perspectiva, ele não se perde. E a paz que isso nos traz, torna tudo mais fácil.
Há um ano atrás não sabia, mas este ia ser o ano mais ambíguo da minha vida. Houveram tantos momentos felizes no meio do caos, do desespero e da frustração. Sinto que a vida me deu na mesma medida que me tirou, e não sei bem o significado disso, mas agradeço. Agradeço todas as luzes ao fundo do túnel, mesmo que algumas tenham sido só uma lanterna perdida antes de mais uma curva. Era só isso que eu muitas vezes precisava, para continuar. Não serei nunca mais a mesma pessoa depois deste ano, na verdade, ainda não sei quem sou ao certo. Mas sei que a capacidade que tive de me virar sozinha, me moldou em muitas formas diferentes.
Que o próximo ano me traga mais disciplina para investir em mim, consistência, clareza mental e calma. É que para quem não gosta de mudanças, isto foi uma dose de cavalo.
Mudar é bom, e há mudanças críticas, mesmo as que nos matam por dentro. Só precisamos de renascer de novo, mais uma vez, e com a direção alinhada. ![]()











